O cartão de crédito – Novas regras

Com a estabilização da economia brasileira, a partir de 1994, o crédito no Brasil teve uma grande evolução. Isso foi muito bom para a nossa economia porque fortaleceu o mercado interno e ajudou muito o país sair bem da última crise mundial.

Por outro lado, muita gente ficou endividada, principalmente no cartão de crédito. Esse mercado cresceu 431% nos últimos dez anos. Nesse período as administradoras de cartão de crédito investiram pesado no mercado de cartões, principalmente para a classe C. A maioria dessas pessoas nunca tiveram acesso tão fácil ao cartão de crédito, como nos últimos dez anos.

O governo brasileiro contribuiu muito com o aumento do crédito no país, mas ficou devendo uma política de conscientização do uso do crédito e hoje o cartão de crédito é a principal pendência de 71% dos endividados no Brasil.

Mas até que enfim uma boa notícia: a partir desse mês, os clientes que não conseguirem pagar integralmente a fatura do cartão de crédito só poderão ficar no crédito rotativo por trinta dias.

Aplicando a taxa média do cartão de crédito em fevereiro de 15,16% ao mês, uma dívida de R$ 1.000,00 na fatura do cartão subiria para R$ 5.440,26 em 12 meses.

Com a nova regra, pela qual a taxa mais alta – de 15,16% ao mês – incidirá nos primeiros 30 dias e a taxa de 8,3% ao mês (Empréstimo pessoal) incide nos meses restantes, a dívida aumenta para R$ 2.768,31 em 12 meses. A diferença chega a 49,1% em um ano.

Melhor ainda se o cliente solicitar um empréstimo pessoal no banco (4,58% ao mês) e quitar imediatamente a dívida do cartão de crédito. Nesse caso, a economia seria de 68,54% em 12 meses.

Muitas empresas descobriram que o endividamento pessoal compromete muito a produtividade de uma pessoa e na falta de uma política governamental de conscientização do uso do crédito passaram a contratar profissionais para orientar os funcionários nas suas finanças pessoais.

Nas palestras que ministro sobre o assunto sempre procuro mostrar que o cartão de crédito é um avanço nas relações comerciais, principalmente pela praticidade que ele oferece, além de proporcionar um bom prazo para o pagamento das compras, se for usado corretamente.

Mas, infelizmente, as pessoas cometem dois erros básicos no uso do cartão:

  • Fazer o pagamento mínimo da fatura;
  • Atrasar o pagamento da fatura.

Outro problema é que o cartão de crédito, pela sua praticidade, estimula compras desnecessárias e por impulso.

Vejamos algumas taxas médias mensais de juros apuradas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade – ANEFAC:

Taxas médias de juros – Pessoa física

Fevereiro/2017 – Taxas mensais

Cartão de crédito 15,16%
Cheque especial 12,40%
Empréstimo pessoal – Financeiras 8,30%
Juros no comércio 5,88%
Empréstimo pessoal – Bancos 4,58%
CDC  Automóveis – Bancos 2,30%
Fonte: ANEFAC

Para finalizar apresento algumas dicas importantes para as pessoas não se endividarem no cartão de crédito:

Antes de sair de casa para fazer as compras calcule quanto você poderá gastar e responda a estas três perguntas:

  1. Você tem condições de comprar à vista, com desconto?
  2. Se você não comprar agora vai fazer muita falta?
  3. Esta é a melhor forma de gastar o dinheiro?

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