Não é só a divída que torna uma empresa ineficiente

É claro que uma empresa com endividamento acima do normal corre sério risco de se tornar ineficiente, principalmente no Brasil, que tem as mais altas taxas de juros do mundo. Mas empresas que não têm dívidas, também correm riscos de se tornarem ineficientes. Isso acontece quando uma empresa vai acumulando lucros ao longo dos anos e os novos resultados tornam-se insuficientes para remunerar bem o capital próprio investido na empresa. Quanto maior o capital próprio, mais lucro uma empresa deve ter, para que não perca a eficiência. O problema é que muitos empresários tendem a não levar em consideração o custo do capital próprio investido na empresa. Isso é um erro, pois o dinheiro tem custo ao longo do tempo. A rigor, o capital próprio deve ser mais bem remunerado que o capital de terceiros, pois o risco do capital próprio é maior que o risco do capital de terceiros.

O balanço patrimonial nos mostra como uma empresa está empregando os recursos financeiros disponíveis e quais são as fontes de financiamento. Em outras palavras, nos dá uma informação sobre a estrutura financeira da empresa em um dado momento.  O balanço é composto pelos direitos da empresa, que são os ativos; e pelas obrigações da empresa, que são os passivos. Os ativos da empresa mostram detalhadamente como está aplicado todo o capital disponível. Já os passivos, indicam quais são as fontes que financiam a empresa.

O capital próprio, também chamado de patrimônio líquido, é uma conta do balanço que merece especial atenção. Pois, para que a empresa seja eficiente, o lucro ao final de um período deve ser suficiente para remunerar bem o capital próprio, que é o capital dos sócios da empresa. Ou seja, quanto mais capital próprio estiver investido na empresa, maior deve ser o lucro.

Toda empresa tem em seu balanço, capital próprio e capital de terceiros. Há empresas que sempre têm o capital próprio bem maior que o capital de terceiros. São as empresas classificadas como seguras.  Há também empresas que sempre têm o capital próprio menor que o capital de terceiros, classificadas como agressivas.

 

Como melhorar a rentabilidade do capital próprio nas empresas?

            Faça uma análise cuidadosa de todos os ativos da sua empresa. Não se podem admitir ativos ineficientes, pois eles são responsáveis para puxar a rentabilidade da empresa para baixo. Acompanhe a evolução do estoque; seja cauteloso com as promoções dos fornecedores que oferecem descontos se você comprar muito mais do que precisa. Analise a política de créditos da empresa e tenha uma cobrança eficiente. Quanto ao imobilizado, verifique se todos os componentes são rentáveis, caso contrário, faça-os tornarem rentáveis, ou desfaça deles o mais rápido possível. Nunca descuide do caixa da empresa. Ao adquirir máquinas e equipamentos para expansão, faça antes um bom estudo de viabilidade. Também é fundamental a existência de um rigoroso controle das informações financeiras da empresa, pois as medidas financeiras indicam se a estratégia adotada por uma empresa está realmente contribuindo para a melhoria da rentabilidade do capital próprio.

Quando se apura o lucro líquido ao final de um período, vem logo a pergunta: o lucro apurado está de bom tamanho? Para respondermos a essa pergunta, é necessário saber qual foi o capital próprio utilizado para gerar o lucro apurado. Dividindo-se esse lucro pelo capital próprio utilizado e multiplicando-se o resultado por cem, encontramos a rentabilidade do capital próprio. Se o resultado encontrado for maior ou igual a 25% a/a, a sua empresa está remunerando bem o capital próprio, ou seja, está criando riqueza.

Mas cuidado: se o capital próprio não for suficientemente remunerado, a sua empresa está destruindo riqueza ao invés de criá-la, ou seja, está empobrecendo.

Comentários